quinta-feira, 29 de outubro de 2015

FESTIVAL ENOLÓGICO E MUSICAL, LE MILLÉSIME



Já que eu moro na França, um post sobre vinhos! Longe de ser uma grande expert sobre o assunto, achei interessante compartilhar um pouco sobre o que aprendi nesse festival de vinhos. A bebida mais popular na cultura francesa é vendida super barata por aqui. Da mesma forma que você consegue encontrar vinhos de 100 euros até o maior preço que imaginar, facilmente encontrará vinhos de qualidade por 3 euros. Gente, o vinho é a preferência nacional e pode custar mais barato que suco ou refrigerante. Aliás, francês quase não bebe refrigerante.

Há 21 anos o festival enológico e musical Le Millésime acontece em Grenoble e segundo os organizadores, foi o primeiro festival desse tipo na França.

O millésime é o termo aplicado para a colheita da uva destinada a produção de vinho. O ano da colheita permite definir a qualidade do vinho. Importante saber que esse mesmo vinho pode ter um gosto completamente diferente no ano seguinte. O registro sobre o millésime não é uma informação obrigatória em uma embalagem de vinho e na França, para ter-se o direito de informar o ano do millésime existem critérios rigorosos a serem obedecidos.

O tema do festival desse ano, que durou 15 dias, foi Händel e os vinhos Languedoc. Georg Friedrich Händel foi um compositor alemão, naturalizado como cidadão britânico. Vindo de uma família de origem luterana, foi o criador da famosa oratória "O Messias", a qual gira em torno de Jesus Cristo, sua vinda como profeta, nascimento, morte e ascensão. Você talvez já tenha ouvido uma parte dela, a tão conhecido "Aleluia de Handel" muito interpretada em igrejas na época do Natal. Já Languedoc, é uma região conhecida por numerosos enófilos como sendo a nova Eldorado dos vinhos franceses.

O festival contou com inúmeros concertos musicais, ateliês com renomados sommeliers, enólogos, empresários do setor de vinho, degustação de queijos, frutos do mar, charcuterie, doces típicos franceses e claro, vinhos.
Charcuterie
Nós tivemos a oportunidade de participar de um ateliê com a enóloga Alice Riffard e o sommelier Cédric Groussard sobre iniciação à degustação. Foi falado sobre como degustar vinhos brancos e tintos, como qualificá-los, aromatização do vinho, cores, conservação e teve também degustação prática dos vinhos.

Aromas
Coloração dos vinhos
Esses tubos de vidros que vocês estão vendo ao lado, foram colocados para mostrar de forma separada as famílias aromáticas dos vinhos e suas cores. Tubos com aromas florais, frutais, animais, especiarias, frutas secas, mel, chocolates entre outros. E como sentir o aroma? Colocando o nariz na entrada do tubo. Os aromas são naturalmente presentes nos vários tipos de uvas, em particular na pele. Eles se formam e se desenvolvem durante o processo de maceração, fermentação alcoólica e metabólica nos barris de vinho e quando engarrafados, passando por processos químicos complexos. Vinhos de qualidade podem conter centenas de aromas diferentes.

Mais e a degustação? Em matéria de vinhos, a degustação não é sinônimo de beber. Tem a ver com a estimulação de quase todos os sentidos: visão, olfato, paladar e tato. Ela é uma análise sobre a bebida. Analisa-se cor, aromas, sabores, texturas e algumas vezes o millésime ou origem. É uma questão de prática, experiência e memória.

Vamos  aos passos :
"La robe du vin", expressão francesa utilizada para falar sobre a análise visual do vinho, nos passará informações sobre a nuance da coloração, assim como a intensidade e a limpidez do vinho. A técnica é a seguinte: encher um terço da taça, incliná-la e observá-la contraposta a um fundo branco ou luminoso. Sempre pegando pela haste da taça ou pela base, nunca, nunquinha no copo em si, pois isso vai alterar a temperatura do vinho.

A coloração do vinho pode mostrar a idade dele. O vinho branco normalmente tem uma coloração amarelada. Quanto ao vinho tinto, a cor vermelho intenso é a cor básica. Há um ponto de convergência entre os vinhos no que tange a coloração ao longo do tempo. Os vinhos têm tendência a evoluir para a cor âmbar, não importando se é branco, rosé, tinto, espumante ou fortificado. Sendo assim, os escuros tendem a clarear com o tempo e os claros a escurecer. Ao chegar na cor âmbar, em geral o vinho passou do seu momento ideal para consumo.

"Le nez", que quer dizer literalmente "o nariz", é uma expressão usada para falar do exame olfativo. Essa parte é dividida em duas etapas. O premier nez (primeiro nariz): Leve o copo ao nariz. É sim, pode levar sem medo! Inspire profundamente para descobrir os aromas e eventuais defeitos. Agora vamos para a segunda etapa, deuxième nez (segundo nariz) : Agite o copo de vinho afim de oxigená-lo, inspire novamente para constatar a evolução dos aromas e a intensidade. Pronto, formidável, agora você sabe porque vê as pessoas balançando o copo de vinho! Tudo tem uma porque nessa vida, mesmo que a gente não saiba! ;)

"La bouche", que significa "a boca", é usada para análise gustativa. Essa por sua vez é feita em três etapas: O ataque, a evolução e o final. A primeira consiste em levar o vinho à boca, verificar se é doce, suave, seco, ácido... A segunda é a evolução do vinho na boca, franza os lábios, inspire o ar por entre eles e por cima da língua, isso vai fazer com que o ar passe pelo vinho, libere os compostos voláteis e você possa senti-lo melhor. A terceira e última etapa são as percepções finais que você terá, antes de deglutir o vinho ou ejetá-lo.

A última informação que eu acho interessante passar é sobre a temperatura do vinho. A temperatura ideal para servir um vinho tinto é de 13 a 15 ºC e um vinho branco entre 7 a 11 ºC . Isso varia de acordo com o tipo de vinho e idade.

Deixo vocês com mais algumas fotos do evento.

Concerto da manhã


Estande de queijos


Estande de frutos do mar - Ostras


                                                          





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